segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pai


Quem sou eu, dentre todos, para dizer que o dicionário está errado? Ainda assim, insisto que sim. Gerar o filho é papel do genitor (ou gerador), afinal. Pai é outra coisa.
É algo que acredito ser definido pelo sentimento. Sentimento esse que de abstrato não tem nada. Deveras tangível. Eu tive um pai. Demorei pra perceber que esse pai tava ali. Mas eu sempre fui o filho dele. Não tem como definir de outra forma.
Tomei sopa comendo tempero sentado em teu colo. O time do coração foi ele quem me deu. Me deu a sua posição de goleiro para me ensinar a jogar bola. Me ensinou a andar de bicicleta. Falou com emoção da copa de 70 e me apresentou uma seleção para torcer. Me explicou o impedimento e todas as regras do futebol. Segurou minha mão para atravessar a rua. Me levou pra chácara de teu pai. Me deu cerveja escondido. Me deu revista de mulher nua e de piadas sacanas. Brigou na rua pra me defender. Brigou em casa pra me defender. Me disse não quando deveria dizer. Me deixou ser eu mesmo ao teu lado. Me deu Kinder Ovo de aniversário. Me ensinou a empinar arraia, a fazer arraia. Me ensinou e jogou botão comigo. Me levou pra praia. Chorou no meu quarto suas perdas. Me ensinou a sonhar. Adorava me ver tocar violão. Bebeu vinho comigo. Me ensinou a dirigir! Fui seu ajudante em teus negócios.  Meu maior ídolo da música foi ele quem me apresentou. Ouviu e dançou reggae comigo. Adorou conhecer minha namorada. Me apresentou feliz sua nova namorada. 
Sempre sorriu ao me ver. Me amou incondicionalmente e sempre me quis ao teu lado durante esses brevíssimos 23 anos que estivemos juntos. Fico feliz por eu ter reconhecido e dito a ele antes de sua partida que ele era o meu Pai! Pois não tem como definir de outra forma o que ele foi pra mim. Obrigado por tudo! Sinto tua falta sempre e pra sempre vou sentir...  


Salvador, 25 de Junho de 2012, dois anos e cinco meses de saudades eternas.