terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Stesse Stagioni


Todo verão quero me perder,
Todo inverno quero fumar,
Todo outono quero chorar

Na primavera quero correr
Pra no próximo verão me achar
E no inverno beber
E no outono sorrir
E a primavera florir.

Quero verão pra suar
Quero inverno pra dormir
Quero outono pra lembrar
Que a primavera é tão linda,
Tão colorida...

Tantas flores
Tantos amores de verão
Tantos carinhos no inverno
E no outono mesmas lágrimas

Mas a primavera vai chegar
E todos verão
O outono esquentar
O inverno sorrir
Depois de tudo acalmar
E meu barco partir...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Papel amassado no bolso


Qualquer pedaço de papel
                 é poesia,
toda rosa, toda prosa, todo beijo
                 é poesia,
é arte, é fantasia...

A vida toda, teatro, felicidade
toda vida, todo ser
                 é poesia!


sábado, 19 de janeiro de 2013

Putas


Vadia
Vadias
Vadio
Vadia

Vadias vêm
Vadias vão
Vadias veem
que
Vadiar vais

Vadias, então
Vadiam mais

Se vadias,
Vadia,
vadiara
e vadiará

Vadias serão
sempre Vadias
vadiarão
Vadiarias

Vadia tu
Vadie
Vadiais
Vadias!

Diário de bordo: Espaçonave GL 26


Trigésimo segundo dia no espaço
a Terra está longe
sigo em frente

Me alimento e ainda há fome
ainda sinto sede
teimosia em ser humano

Brilho de galáxias distantes
são lindos pontos azuis
e isso é tão vazio

Tento deitar, tento dormir
passar o tempo
mas não existe tempo aqui

Vou ler, vou fumar, vou beber
vou correr, vou parar
vou pensar, vou querer...

As ilusões começam
achei ter visto alguém
conversei e sorri

Quem poderia me alcançar
deslizando intra espaço
perdido na velocidade da luz?

Repito ao rádio a mensagem
tento me comunicar
espero resposta que não vem

Lembro da bíblia,
meu sorriso sarcástico
não há deus nenhum aqui

Penso em destruir os controles
suicídio espacial
túmulo infinito de estrelas

Quebro apenas o relógio
última referência
viverei no agora eternamente

Jamais envelhecerei, sempre em frente
jamais desistirei ou cansarei 
jamais voltarei...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Pretérito, Futuro e Presente


Queria ser capaz de passar com palavras a profundidade do agora. Palavras são tão vazias e desprovidas de significado fora do âmbito da transmissão traduzidas para a nossa linguagem apropriada, ainda que muito longe ainda estão estas de obterem êxito na tentativa da descrição. Mas, na incapacidade material que tenho de passar de outra forma, utilizo-me dela. Consiga imaginar uma fotografia de uma determinada cena cotidiana. Você no momento da cena aleatória não sabe nada do que aconteceu nas vidas envolvidas e naquele lugar. Isso é indiferente para o propósito da foto. Tudo bem até aí. Num segundo momento outra foto é tirada, por outra pessoa ( ou um outro você que não viveu a experiência do exato momento da foto anterior ). Esse outro observador vai olhar para a foto dele e ter os mesmos questionamentos que você, pois não sabe nada da vida e do lugar no momento anterior a retirada da foto. Ou seja, para você ou para ele, naquelas fotos não houve nada no passado e apenas um estado instantâneo resultado de um movimento desconhecido, mas que não interfere na fotografia. Outro momento você olha para a foto e tenta entender o que aconteceria no instante seguinte. Com isso você cria uma nova imagem que só existe naquele instante e na sua mente. O outro você ( ou outra pessoa) faz o mesmo, olha a foto e tenta entender ou prevê o que aconteceu depois daquele exato instante. E faz isso, cria essa nova imagem que só existe pra ele, pois não existe de fato. Imagine agora que esses dois pensamentos de instante posterior são diferentes. Cada um pensou e criou a imagem de um novo futuro próprio a partir do estado determinado na cena no instante da sua foto. O dito futuro é próprio e determinado do exato agora que é particular. Este agora agrega fatos passados, ainda que o passado não de fato exista naquele instante e tampouco interfira na retirada da foto. Na foto só existe aquele instante, aquele peculiar momento. O passado existiu, tornou aquela cena do jeito que ela é e ainda assim, não se tem indicio algum de como ele foi. Em outras palavras, ele não existiu para aquilo, pois nunca houve antes. Assim que eu tento entender o Agora. Uma sucessão de fotos onde o passado tornou a cena como ela é (e não revela como isso procedeu) e o seu não determinismo que indique de forma exclusiva o próximo passo, o porvir. Assim o futuro ainda não existe e depende apenas de como você irá olhar o presente e desejar que ele seja da forma que você queira e o passado...não importa, as coisa já estão como estão, é com o agora que eu desenho o meu particular futuro.