quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Pretérito, Futuro e Presente


Queria ser capaz de passar com palavras a profundidade do agora. Palavras são tão vazias e desprovidas de significado fora do âmbito da transmissão traduzidas para a nossa linguagem apropriada, ainda que muito longe ainda estão estas de obterem êxito na tentativa da descrição. Mas, na incapacidade material que tenho de passar de outra forma, utilizo-me dela. Consiga imaginar uma fotografia de uma determinada cena cotidiana. Você no momento da cena aleatória não sabe nada do que aconteceu nas vidas envolvidas e naquele lugar. Isso é indiferente para o propósito da foto. Tudo bem até aí. Num segundo momento outra foto é tirada, por outra pessoa ( ou um outro você que não viveu a experiência do exato momento da foto anterior ). Esse outro observador vai olhar para a foto dele e ter os mesmos questionamentos que você, pois não sabe nada da vida e do lugar no momento anterior a retirada da foto. Ou seja, para você ou para ele, naquelas fotos não houve nada no passado e apenas um estado instantâneo resultado de um movimento desconhecido, mas que não interfere na fotografia. Outro momento você olha para a foto e tenta entender o que aconteceria no instante seguinte. Com isso você cria uma nova imagem que só existe naquele instante e na sua mente. O outro você ( ou outra pessoa) faz o mesmo, olha a foto e tenta entender ou prevê o que aconteceu depois daquele exato instante. E faz isso, cria essa nova imagem que só existe pra ele, pois não existe de fato. Imagine agora que esses dois pensamentos de instante posterior são diferentes. Cada um pensou e criou a imagem de um novo futuro próprio a partir do estado determinado na cena no instante da sua foto. O dito futuro é próprio e determinado do exato agora que é particular. Este agora agrega fatos passados, ainda que o passado não de fato exista naquele instante e tampouco interfira na retirada da foto. Na foto só existe aquele instante, aquele peculiar momento. O passado existiu, tornou aquela cena do jeito que ela é e ainda assim, não se tem indicio algum de como ele foi. Em outras palavras, ele não existiu para aquilo, pois nunca houve antes. Assim que eu tento entender o Agora. Uma sucessão de fotos onde o passado tornou a cena como ela é (e não revela como isso procedeu) e o seu não determinismo que indique de forma exclusiva o próximo passo, o porvir. Assim o futuro ainda não existe e depende apenas de como você irá olhar o presente e desejar que ele seja da forma que você queira e o passado...não importa, as coisa já estão como estão, é com o agora que eu desenho o meu particular futuro.

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